sexta-feira, 14 de abril de 2017

[Romance] "O Crime do Padre Amaro", de Eça de Queirós [Circulo de Leitores]






Titulo: O Crime do Padre Amaro

Autor: Eça de Queirós

Editor: Circulo de Leitores

Data de edição: Abril de 1993

Género: Romance

Nº de paginas: 487




Opinião por Ana Santos , Blog A Dama dos Livros

Amaro é um jovem padre que, com auxílio dos seus protectores, é designado para a paróquia de Leiria. Ao chegar à cidade, torna-se  hóspede de S. Joaneira, e conhece a filha da senhoria, Amélia. Quando a paixão entre eles começa a aumentar, nem mesmo o voto de celibato é um obstáculo ao seu relacionamento. 

Descritiva em excesso. Estas são as melhores palavras para descrever a narrativa de Queirós. Para se ter uma ideia, nenhum detalhe, por mais insignificante que fosse, passou despercebido. Assim, o uso exagerado de adjectivos logo me incomodou, deixando-me com a sensação de que o autor estava andando em círculos, sem saber que caminho seguir. 

Além disso, a obra apresenta um ritmo lento e a história parece não evoluir. A título exemplificativo, cito que foram necessárias mais de duzentas páginas para Amaro e Amélia finalmente se envolverem, sendo que esta é a premissa do livro, que consta inclusive da sinopse. Até faria sentido este envolvimento ser mais lento, considerando que Amaro é padre e, para ser sincera, a minha expectativa era vê-lo atravessar uma crise existencial, questionando os seus valores e sem saber o que fazer. Todavia, fiquei com a ideia de que Amaro era sacerdote por profissão, e não por vocação. É claro que o romance deles não deveria ter ocorrido rapidamente, como num romance sensual e inverossímil, mas a forma como autor conduziu o relacionamento afectou directamente o meu envolvimento com a leitura.

Os diálogos igualmente deixaram um pouco a desejar, tendo em vista que soaram superficiais e vazios. Creio que não se pode atribuir tal defeito a época em que a obra foi escrita, visto que nunca tive problemas com diálogos de outros livros clássicos.

Os protagonistas não conquistaram a minha empatia, pois além de serem insonssos, o romance deles não me convenceu, nem me cativou. A linguagem, apesar de rebuscada em certos momentos, é compreensível. Uma peça bastante interessante.

Um pouco sobre o período da historia:

Na segunda metade do século XIX, Portugal passava por grandes transformações; não apenas sociais, mas também filosóficas. 
Grande marco do Realismo em Portugal, publicado originalmente em 1875, O crime do padre Amaro é a obra mais polémica de Eça de Queirós que levou a que houvesse grandes protestos por parte da Igreja Católica, não só dentro de Portugal, mas também do próprio Vaticano.É a obra de Eça que denuncia a corrupção dos padres, que manipulam a população a favor da elite, e a questão do celibato clerical. A obra caracteriza-se pelo combate ao idealismo romântico que se estabelecia até então, em prol de uma visão mais crítica da sociedade e Eça de Queirós terá aproveitado o facto de ser nomeado administrador do concelho de Leiria para aí durante seis meses, conhecer e estudar aquele que seria o cenário de O Crime do Padre Amaro.


O Crime do Padre Amaro é a maior obra do escritor Eça de Queirós. A publicação deste romance marca o início do Realismo português e é considerada por muitos a melhor obra do movimento.  Devido a denúncia de corrupção dos membros da igreja e à discussão sobre a quebra do celibato, sofreu perseguições da Igreja Católica. 


segunda-feira, 3 de abril de 2017

[Thriller] "O Amor é Vermelho" , de Sophie Jaff [Marcador]





Autora: Sophie Jaff

Editor: Marcador

Data de edição: Fevereiro de 2016

Género: Thriller

Nº de Paginas: 360







Opinião por Ana Santos | Blog A Dama dos Livros


Esta narrativa alterna entre o ponto de vista de Katherine e o do assassino, o que ao início talvez seja um pouco confuso. Porém, a pouco e pouco, o leitor vai conseguindo entrar na lógica narrativa do livro. O tom da narrativa é muito diferente do usual e mostra-nos a peculiar personalidade desequilibrada, maníaca e compulsiva do Serial Killer  que está bem impressa nas palavras que ele usa para descrever o que o rodeia e a forma como actua no ambiente que o rodeia.

O livro começa com o relato de uma violação seguido do assassinato de uma das vítimas. Crueldade ao mais alto nível. Infelizmente, o livro não dá seguimento à morbidez que se espera neste género de tramas, optando a autora por dar primazia ao romance e às visões que Katherine vai tendo ao longo da história ao invés de se focar nas circunstâncias que rodearam as mortes e na investigação policial (cuja referência não existe) do  caso do Homem da Foice, o que poderia ter trazido um colorido adicional à história.

O foco da narrativa centra-se principalmente em Katherine Emerson em concreto, no triângulo amoroso em que se vê envolvida a protagonista (e musa do assassino em série), e nos dois amigos David e Sael  deixando em aberto o desenvolvimento as circunstâncias em que foram cometidos os crimes.

 No entanto, é um thriller diferente dos que tenho lido ultimamente. “A ligação a uma história muito antiga, da Donzela do Castelo de Morwin”, pareceu-me um pormenor muito interessante. Inicialmente não entendemos muito bem o que tem a ver com a história de Katherine, mas depois faz-se luz. E digamos que a história da Donzela até parece aquelas histórias que as mães contavam às filhas antigamente.

Este livro revelou-se uma forma interessante de abordar o género thriller, e é bastante curioso e original ver de que forma a autora Sophie Jaff misturou acontecimentos bíblicos com passagens eróticas, terror, romance, suspense, paranormal. 

Simplesmente fascinante.