[Literatura] "Mais 365 Dias", de Blanka Lipinska [Lua de Papel]

Titulo: Mais 365 Dias - Volume III

Autor(a): Blanka Lipinska

Editora/ Chancela: Lua de Papel

Lançamento: Abril de 2022

Género: Literatura Erótica

Nº de Paginas: 400

Sinopse:

Como mulher de Don Massimo Torricelli, um dos mais temidos chefes da Máfia siciliana, a vida de Laura é uma autêntica montanha-russa de emoções contraditórias. Vive em perigo constante, como alvo potencial dos poderosos inimigos de Massimo, que farão todos os possíveis para o destruir.

E quando Laura, ainda grávida, é violentamente ferida num ataque, Massimo tem de tomar a decisão mais difícil da sua vida. Ao ver a mulher que ama às portas da morte, deverá agarrar-se ao amor que viveram? Ou deverá libertá-la para garantir que nunca mais correrá perigo. E será que é capaz de aguentar viver sem ela?

A tão esperada conclusão da trilogia 365 Dias, que deu origem ao fenómeno mundial da Netflix.

Opinião por Ana Santos, Blog A Dama dos Livros

Ao terminar a leitura de "Mais 365 Dias" deixou-me com um sentimento de grande ambivalência: não amei, mas também não odiei este desfecho da trilogia. No entanto, olhar para o percurso completo da história expõe falhas na construção das personagens que me deixaram bastante confusa. 

O meu principal problema com a narrativa reside na protagonista. Laura Biel provou não saber aquilo que queria, e essa indecisão arrasta-se desde o segundo livro até este último volume. As suas hesitações constantes tornam-se cansativas e retiram-lhe qualquer força ou maturidade. Além disso, fica evidente que ela nunca soube como lidar com o mundo da máfia. A Laura age de forma ingénua face à gravidade do perigo real que a rodeia, o que retira verossimilhança a muitas das suas atitudes. 

A par disso, a evolução ou falta dela, de Massimo Torricelli prejudica a coerência da obra. Desde o primeiro livro, Massimo destaca-se pela sua total falta de humanidade. O que me causou mais confusão foi a forma como a escritora tentou introduzir uma suposta sensibilidade nos volumes 2 e 3. Parece haver uma falta de compreensão por parte da própria autora sobre como gerir a personalidade dele, tentando transformá-lo em algo que ele claramente não é. 

É neste cenário de obsessão que surge Nacho, o terceiro vértice deste triângulo amoroso. O Nacho aparece como quem não quer a coisa e acaba por ser o verdadeiro contraponto da história. Ele é tudo aquilo que o Massimo não é: é como se representasse a parte mais humana que falta ao Massimo. Essa diferença drástica torna a dinâmica interessante, mas acentua ainda mais a indecisão crónica da Laura. 

Em suma, a escrita de Blanka Lipińska mantém-se fluida, mas o desenvolvimento psicológico falha. Recomendo para quem quer apenas um encerramento rápido da história, mas é preciso ler ciente de que a coerência das atitudes deixa muito a desejar.

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