- Titulo: O Mestre e a Aprendiza
- Autor (a): Madeline Hunter
- Editora/ Chancela: ASA
- Lançamento: Agosto de 2022
- Género: Literatura
- Nº de páginas: 384
- Sinopse:
No momento em que Rhys vê Joan no mercado a vender as suas delicadas peças de cerâmica, sente-se enfeitiçado. Não podia imaginar que, poucos dias depois, viria a salvar a mesma jovem da tortura de um povo impiedoso, disposto a castigá-la por um crime que não cometeu. Com ternura, cuida das feridas do seu corpo e da sua alma, e vontade não lhe falta de fazer muito mais…
Joan não lhe revela que em tempos viveu uma vida mais próspera. Por força das circunstâncias, trabalha agora às ordens de um amo, mas não desistiu de vingar os crimes que arruinaram a sua família. Quando descobre que Rhys se encontrou com o seu empregador e comprou o seu contrato de aprendiza, Joan fica furiosa, mas está decidida a não sucumbir aos encantos do belo homem. O seu corpo, porém, pede o contrário… conseguirá ela evitar ser subjugada pelo forte desejo que sente?
Opinião por Ana Santos, Blog A Dama dos Livros
O Mestre e a Aprendiza evidencia a habilidade de Madeline Hunter na escrita de romance histórico, mas também deixa à vista alguns limites característicos do género. A autora constrói uma narrativa consistente, apoiada em diálogos eficazes e numa recriação de época convincente; contudo, por vezes recorre a estruturas previsíveis que reduzem o impacto emocional da obra.
A figura feminina destaca-se pela inteligência e determinação, sendo retratada com uma sensibilidade que evita simplificações. Ainda assim, a sua trajectória nem sempre se desenvolve com plena liberdade, já que o enredo insiste em colocá-la em situações onde a sua força interior é mais insinuada do que plenamente afirmada. O protagonista masculino, embora dotado de carisma, alterna entre reserva e rigidez, sem que essa dualidade seja explorada com a profundidade que poderia enriquecer a relação entre ambos.
A ligação central, apresentada como um jogo de poder e aprendizagem, nem sempre alcança a complexidade anunciada. Existem momentos de verdadeira tensão, mas também passagens em que a previsibilidade suaviza o potencial dramático. A componente sensual, embora presente, é tratada com tal contenção que, em vez de subtil, se torna por vezes excessivamente prudente, retirando intensidade a cenas que pediam maior ousadia emocional.
Apesar destas observações, e reconhecendo algumas fragilidades estruturais, apreciei bastante a leitura. Hunter demonstra domínio técnico, cuidado na construção do ambiente e uma capacidade constante de envolver quem lê. O Mestre e a Aprendiza pode não revolucionar o género, mas oferece uma experiência envolvente, acessível e agradavelmente imersiva.


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