quinta-feira, 24 de agosto de 2017

[Romance de Literatura] "Os Maias", Eça de Queirós [Porto Editora]



Titulo: Os Maias

Autor: Eça de Queirós

Editora: Porto Editora

Data de edição: Dezembro de 2015

Género: Romance de Literatura

Nº de paginas: 736

Opinião por Ana Santos, Blog A Dama dos Livros


O romance por "Episódios da vida romântica" ou, como é mais conhecido, "Os Maias",  foi publicado em 1888 e é considerado como a mais bem acabada obra de Eça de Queirós. Voltada para a alta sociedade Lisboeta, os maias faz parte de uma trilogia que, junto com "O Crime do Padre Amaro" e "Primo Basílio", foram denominadas por Eça de Queirós como cenas da vida portuguesa, já que nelas o autor examina a alta e pobre sociedade lisboeta. As criticas contidas nessas obras, segundo Eça, tinham a intenção de corrigir a hipocrisia daquela sociedade viçosamente burguesa.
Os Maias tem como tema principal o caso do incesto inconsciente entre Carlos da Maia e Madame Castro Gomes, que na verdade é Maria Eduarda, irmã desaparecida de Carlos. A historia se desenvolve, basicamente, em duas linhas de acção: a primeira, entorno do amor incestuoso de Carlos e Maria Eduarda; e, a Segunda, sobre a vida desregrada e ociosa da burguesia lisboeta. 
Os Maias, seja pelo lado polémico, devido ao tema abordado, seja como documento social, ainda hoje mantém uma enorme força critica, pois continua a instigar a consciência do leitor, promovendo o questionamento e a reflexão.
A narrativa inicia-se tendo como pano de fundo a descrição da reforma da imponente casa do Ramalhete, antiga residência dos maias em Lisboa. A casa havia sido fechada por D. Afonso quando esse fora viver na Quinta de Santa Olávia. Afonso Da Maia, resolveu regressar á antiga morada de seus antepassados quando soube que Carlos, seu neto, estava voltando de Coimbra, onde acabara de se formar em medicina. Certo de que Carlos, após de viver anos sob a agitação de Coimbra, Paris e Londres, preferiria morar em Lisboa, cidade melhor preparada para acolher um jovem medico e mais propicia para a instalação de um consultório, Afonso decide retornar a Lisboa e preparar o ramalhete para receber seu neto, ultimo descendente de fidalguia dos Maias. 
Em meio ás lembranças dos antepassados do velho D.Afonso, o narrador faz um flash back e, dessa forma, apresenta ao leitor a tragica historia daquela familia. Os maias, "fidalgos da Beira" e tradicionais menbros da sociedade de benfica, eram uma familia pouco numerosa, pelo que consta, Caetano da maia teve apenas um filho: Afonso. Esse, por sua vez, seguiu o exemplo do pai e produziu apenas um rebento: Pedro.

Pedro da Maia, ao contrario do que pretendia seu pai, foi educado "de acordo com padrões românticos". Crescera a beira da saia da mãe, D. Maria Eduarda Runa, e dentro dos preceitos da igreja. Quando adulto, tornou-se um homem frágil e melancólico, sentimento esse que é acentuado com a morte da mãe, a qual Pedro era demasiadamente ligado. Para o narrador da obra, Pedro é a composição caricatural da fraqueza dos românticos, que encontravam na morte a saída para desilusões da vida.
Toda a soturnidade desse personagem é quebrada com a chegada de Maria Monforte - ou a "Negreira"- como a jovem era mais conhecia na burguesia da epoca, em virtude de ela ser filha de um traficante de escravos. Apos corteja-la, Pedro, mesmo contra a vontade de seu pai, casa-se com ela. Esse matrimonio nao agrada a Afonso da maia, que nao perdoa a desobediencia de Pedro. No entanto, Pedro parece ter encontrado a felicidade, mesmo diante da propensão á infidelidade de sua esposa.
Dos momentos felizes do casal, nasceram dois filhos: Maria Eduarda e Carlos. Após o nascimento do ultimo, a "Negreira" Maria Monforte desenvolve ainda mais a sua tendência ao adultério, mas não o concretiza com nenhum homem daquela sociedade, pois neles faltava um elemento fundamental: a arte da sedução. 
No entanto, não demorou muito para que surgisse um homem que tivesse a chama para que a bela Maria Monforte traísse o ingénuo marido. Esse homem é Tancredo, um napolitano que afirmava ser um príncipe italiano e que procurava em portugal um local para fugir da perseguição de seus algozes. A infiel Negreira consumou a traição fugindo com o sedutor Tancredo. Na fuga, ela leva consigo a filha, Maria Eduarda, deixando Carlos com o marido. Pedro, inconformado, não com a traição em si, pois poderia perdoar sua esposa, mas com a fuga da sua amada, suicida-se.
Carlos cresce ao lado do seu avo, convito da morte de sua mae e de sua irma. Nao tendo a possibilidade de educar Pedro dentro de seus moldes, Afonso da maia torna para si a responsibilidade de educar o jovem Carlos. Esse, entao, é doutorino nos padroes britanicos. 
Mais tarde, Carlos vai a Coimbra estudar medicina. Lá conhece João da Ega, que transforma-se no fiel escudeiro do jovem maia. ( parece que há uma maior adesão afectiva do narrador com esse personagem. Ega caracteriza-se por ser um revolucionário, porem, inofensivo. Essa visão "Simpática" também aparece em outros personagens, como por exemplo: Afonso da Maia. Em contra partida, o narrador apresenta Dâmaso Salcede, um pretensioso sedutor de mulheres, de forma sarcástica e Eusebiozinho como sendo um produtor da debilidade moral e física do romantismo.)
Apos formar-se em medicina, Carlos da Maia retorna a lisboa e passa a exercer sua profissao apenas por gosto e nao por obrigação. Tambem com relação a vida o seu procedimento é o mesmo, pois em decorrencia de uma sociedade desprovida de motivação cientifica e culturais, nao se fixa em nada.
O jovem da Maia, conheceu muitas mulheres em sua estada em coimbra, o mesmo ocorrendo em lisboa. Seus casos amorosos quase sempre eram com mulheres casadas ou prostitutas. Apos alguns encontros amorosos com a condessa Gouvarinho, madame Castro Gomes, que por sua vez rompe com Castro Gomes, o qual não era oficialmente seu marido, para ir viver com Carlos da Maia.
O casal aguardava apenas a morte de D. Afonso, que não aprovava essa união para se casarem. No entanto, Joaquim Guimarães, um jornalista idoso, entrega a João Ega uma caixa de documentos a ele confiada por Maria Monforte, em Paris, para ser entregue a Carlos e a sua irmã. Ega lê os documentos contidos na caixa e , aterrorizado, mostra-os a Carlos, que enfim descobre que Madame Castro Gomes é, na verdade, sua irmã. Carlos, ainda desnorteado, volta a encontrar- se com a irmã, numa atitude incestuosa, porem já consciente.
Surpreendido com o reaparecimento da neta, que surgia como amante do próprio irmão, Afonso da Maia morre. A situação entre os dois só é solucionada após o funeral: Maria Eduarda, com a identidade esclarecida, vai para Paris e lá se casa; Carlos viaja para a América e Japão na companhia de Ega. Mais tarde, Carlos acaba fixando residência também em Paris, onde passa a ter uma vida ociosa. Dez anos depois, ao retornar a portugal, o estilo de vida dos dois amigos continua o mesmo, resultando uma visão desencantada da realidade, que marcou as produções artísticas do séculos XIX.



segunda-feira, 7 de agosto de 2017

[Romance] "A Mulher Esquecida", de Katherine Webb [Chá das Cinco]



Autora: Katherine Webb

Editora: Chá das Cinco

Edição:Outubro de 2015

Género: Literatura / Romance

Nº de paginas: 480

Opinião por Ana Santos, Blog A Dama dos Livros

Gosto imenso do título, pois chamou-me a atenção.
É uma questão interessante, o que faz alguém ser recordado e não ficar perdido nas brumas do tempo. Quem não se questiona se será lembrado, e até quando... Bem, no caso específico desta história, a mulher esquecida está também envolta num mistério, pelo que o seu esquecimento não foi pacífico. O seu desaparecimento e as razões para o mesmo é apenas conhecido por duas pessoas, e quem um dia a conheceu e a amou, não consegue descansar sem descobrir a verdade.
Ficou um pouco confuso,de forma como a autora brincou com as duas faixas temporais, inícios de 1800 e vinte anos mais tarde, vamos conhecendo aos poucos a verdade sobre o que aconteceu a Alice, ao mesmo tempo que acompanhamos as vidas de quem lhe sente a falta, Starling, a sua protegida e Johnathan, o seu amor.
A história está escrita de uma forma bastante interessante, impelindo-nos a continuar a leitura de forma a chegar à tão esperada revelação. Simultaneamente, encontramos uma rica descrição sobre a vida naquela época, incluindo alguns episódios sobre a Guerra Peninsular, em que os britânicos lutaram ao lado dos portugueses contra os franceses e os espanhóis.
As personagens, principalmente Starling e Rachel, são as verdadeiras forças motoras por trás do avançar do enredo. Gostei imenso das duas, e julgo que são óptimas representantes para duas das classes de mulheres daquela época, revelando o que tinham de aguentar e até sofrer, às mãos de quem as controlava, marido ou senhor.



Katherine Webb cresceu numa zona rural em Hampshire, Inglaterra. Residiu em Londres e em Veneza, e actualmente em Berskhire, Inglaterra. Já trabalhou como empregada de café, au-pair, assistente pessoal, ceramista, encadernadora, bibliotecária e governanta de uma mansão, sendo que agora dedica os seus dias à escrita.



[Ficção] "Mors Tua, Vita Mea - A tua morte, a minha vida", de Vanessa Santos [Chiado editora]



Autora: Vanessa Santos

Editora: Chiado editora 

Edição: Junho de 2015

Género: Ficção

Colecção: Viagens na Ficção

Nº de Paginas: 542


Opinião por Ana Santos, Blog A Dama dos livros

Em primeiro lugar tenho que dizer que adoro a capa, pois acho-a muito bonita, e transmite, perfeitamente, a ideia de que o livro é sobre uma história com mistério envolvendo armas, claramente trata-se de um crime. Acho que está muito bem conseguida porque desperta logo a atenção do leitor. No meu caso provocou também uma expectativa bastante alta sobre a história que aí vinha e posso desde já dizer que não fiquei desiludida.
Gostei muito da leitura de Mors Tua, Vita Mea.
Envolvi-me com algum dificuldade na história.  Sara, é a personagens principal mais  trapalhona e ao mesmo tempo divertida! (sim, graças a este livro dei por mim a rir sozinha na sala de estar  quando estava a ler! parecia uma tolinha! eh eh)
Cativante, com a dose certa de mistério e cheio de reviravoltas é um livro ao qual me apeguei muito facilmente! 
No entanto o final...além de ficar nostálgica porque terminei a leitura e triste porque uma personagem muito especial não resistiu...ao mesmo tempo fiquei cheia de curiosidade com o que ainda ficou por revelar.

Vanessa Santos é natural de uma das freguesias mais antigas da cidade de Leiria, Cortes. Ao longo dos anos, foi descobrindo o gosto pela leitura, tendo concluído, que o seu gosto e género literário pende, essencialmente, para o thriller, terror, ficção científica e, principalmente, histórias de crime e mistério, sendo por isso, leitora de nomes como Agatha Christie e Stephen King.
A autora de “Mors Tua, Vita Mea – A tua morte, a minha vida”, é finalista da Licenciatura em Direito, em Coimbra, e no mesmo ano em que se torna finalista lança o seu blogue intitulado Livros de Vidro.
A transição de ano de 2014 para 2015 culminou com a edição da sua primeira experiência no mundo da escrita com um texto que teimava em ficar apenas no fundo de uma gaveta, mas que se espera não ser o último a sair de lá.



sexta-feira, 4 de agosto de 2017

[Literatura Fantástica] "Crescendo", de Becca FitzPatrick [Porto Editora ]


Titulo: Crescendo

Autora: Becca FitzPatrick

Editora: Porto Editora

Edição: Julho de 2011

Género: Literatura Fantástica

Nº de Paginas: 336



Opinião por Ana Santos, Blog A Dama dos Livros


Crescendo é a continuação de Nora, a protagonista, encontra-se num momento bastante difícil logo após as primeiras páginas. Depois de ter presenciado a morte de perto e ter perdido aquele que mais amava dedicou-se a Patch, fez dele o seu pilar, o seu escudo contra o temor e a solidão. No entanto, a estabilidade emocional está longe de ser oferecida a esta personagem que, por obra de seres superiores ao destino, se verá arrastada para um carrossel sentimental onde arriscará tudo para obter, finalmente, algumas respostas.
Patch por seu lado mantém o mistério continuando a ser um interveniente difícil de interpretar que, ao ser de certa forma afastado de Nora, acaba também por ser remetido para segundo plano neste segundo livro até quase ao final. A mim como leitora provocou-me ambiguidade de sentimentos.
hush, hush, um romance juvenil paranormal que evidencia o lado obscuro de seres angélicos. Com muita acção e mistério, é de forma entusiástica que evidenciamos os dramas e paixões da personagem principal que se encontra a um passo de descortinar os segredos que lhe traçaram o destino colocando-a, novamente, num perigo de proporções transcendentes.
Becca Fitzpatrick foi aclamada pela crítica com o seu primeiro livro e, uma vez mais, apresenta um enredo cativante e com uma escrita bastante fácil que se molda a qualquer apreciador deste género literário, apesar da faixa etária dos seus personagens. Com um ritmo assertivo esta é uma leitura rápida que no final nos deixa ansiosos pela continuação.
Com personagens à parte, as descrições momentâneas de cenários entre momentos de suspense também se encontra bem conseguida, algo raro nestes livros, o que contribui para os momentos de tensão, que não são poucos.
Em relação ao paranormal, fantástico, que se encontra presente na história através de arcanjos anjos e neflins é evidenciado de diversas formas e gostei particularmente da forma como a autora trabalhou as suas particularidades aprimorando, em particular, o subconsciente da personagem principal algo que me agradou bastante. 
Neste segundo livro, gostei particularmente da acção em que se desenrola definitivamente com cada personagem ao seu redor.


Becca Fitzpatrick soube cativar-me e tenho a certeza que quem gostou do seu primeiro livro irá também sentir-se satisfeito com esta leitura. Demonstra ser uma autora inteligente na movimentação dos seus intervenientes e, apesar do lado sombrio da sua trama, consegue contrabalançar emoções com o seu humor muito próprio impondo, com acção, uma cadência acelerada que já conquistou um elevado número de admiradores.
No dia 22 deste mês, os fãs da saga hush, hush, passaram também a ter acesso ao terceiro livro, Silêncio, uma opinião que divulgarei em breve. Uma excelente aposta da Porto Editora, para acompanhar atentamente. Recomendo.


quinta-feira, 20 de julho de 2017

[Literatura érotica] Perdição em Roma, de Sylvain Reynard [Chá das cinco]




Autora: Sylvain Reynard

Editora: Saída de Emergência

Chancela: Chá das cinco

Edição: Março de 2017

Nº de paginas: 303


Opinião por Ana Santos, Blog A Dama dos livros

Tais como dos dois primeiros títulos desta serie, de "Raven- Noites em Florença" e "Uma sombra sobre Florença". "Perdição em Roma" é o terceiro livro da mesma serie da autora Sylvain Reynard é um romance de cariz fantástico, que corresponde a um muito bem conseguido spin off da série " O Inferno de Gabriel", também editada em Portugal pela chancela Chá das Cinco das Edições Saída de Emergência.

"Perdição em Roma" da autora Sylvain Reynard, esteve dentro das minhas expectativas. Adorei cada pedaço do capítulos, uns mais do que os outros.
William, decide-se entregar a Cúria (Inimigos dos sobrenaturais), juntamente com Raven. Para salvar a sua amada, ele decide em fazer um exorcismo.
No final Raven e William ficaram sempre juntos, felizes e em paz . 
Entre as alusões a diversos aspectos históricos, em especial, ao Renascimento Italiano e ao seu relevante contributo para a história da arte acabam por ser o complemento ideal para afastar a obra de uma visão estereotipada, conferindo-lhe um factor de distinção, sem retirar a natureza sobrenatural e uns elegantes laivos de sensualidade e romantismo.

sábado, 10 de junho de 2017

[Literatura Juvenil] Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente [Porto Editora]





Autor: Gil Vicente

Editora: Porto Editora

Data de edição:

Nº de paginas: 64 paginas

Colecção: Educação Literária

Opinião por Ana Santos, Blog A Dama dos Livros


Na auto da Barca do Inferno, uma peça teatral, dar unidade de acção através de um único espaço e de duas personagens fixas "diabo e anjo".
A peça inicia-se num porto imaginário, onde se encontram as duas barcas, a Barca do Inferno, cuja tripulação é o Diabo e o seu Companheiro, e a Barca da Glória, tendo como tripulação um Anjo na proa.
Apresentam-se a julgamento as seguintes personagens:


  • Fidalgo, D. Anrique;
  • Onzeneiro (homem que vivia de emprestar dinheiro a juros muito elevados, um agiota);
  • Sapateiro de nome, que parece ser abastado, talvez dono de oficina;
  • Joane, um parvo, tolo, vivia simples e inconsciente dos seus actos;
  • Frade cortesão, Frei Babriel, com a sua "dama" Florença;
  • Brísida Vaz, uma alcoviteira;
  • Judeu usurário talvez chamado Semifará(na obra diz-se que pode ser o nome do próprio ou de um conhecido);
  • Corregedor e um Procurador, altos funcionários da Justiça;
  • Enforcado;
  • Quatro Cavaleiros que morreram a combater pela fé.

Cada personagem discute com o Diabo e com o Anjo para qual das barcas entrará. 
Esta obra tem dado margem a leituras muito redutoras, que grosseiramente só nela vêem uma farsa. Mas se Gil Vicente fez a impiedosa das moléstias que corroíam a sociedade em que viveu, não foi para se ficar aí, como nas farsas, mas para propor um caminho decidido de transformação em relação ao presente. Normalmente classificada como uma moralidade, muitas vezes ela aproxima-se da farsa; o que indubitavelmente fornece ao leitor é uma visão, ainda que parcelar, do que era a sociedade portuguesa do século XVI. Apesar de se intitular Auto da Barca do Inferno, ela é mais o auto do julgamento das almas.

Esta obra do grande Gil Vicente  é considerado o primeiro grande dramaturgo português, além de poeta de renome. Enquanto homem de teatro, parece ter também desempenhado as tarefas de músico, actor e encenador. É considerado o pai do teatro português, ou mesmo do teatro ibérico, já que também escreveu em castelhano - partilhando a paternidade da dramatologia espanhola com Juan del Encina.

Para mim, esta obra é uma das melhores.

[Literatura Juvenil] "Hush, Hush", de Becca Fitzpatrick [Porto Editora]






Titulo: Hush, Hush

Autora: Becca Fitzpatrick

Editora: Porto Editora

Edição: Maio de 2010

Nº de Paginas : 319




Opinião por Ana Santos, Blog A Dama dos Livros 

Este romance é narrado na primeira pessoa, neste caso pela protagonista Nora Grey, uma jovem estudante que nos conta tudo o que vê ou que pensa estar a ver, no que sente quando está com pessoas, tanto com a sua melhor amiga Vee como outras.  Por outro lado Nora fica "apanha" por Patch.
E quem é este Patch?
Patch é um rapaz muito diferente dos outros rapazes, ele é atraente de uma maneira não convencional, tem olhos escuros penetrantes como misteriosos. Está sempre vestido de preto e aparece do nada. Quando menos espera, Nora sabe de algo assustador em que Patch está envolvido, mas não fica indiferente á paixão que sente por ele.

Um romance cheio de sensualidade, perigo e as personagens tem uma cumplicidades. Magnifico.

terça-feira, 23 de maio de 2017

[Ficção] As Cinquenta Sombras de Grey, E.L.James [Lua de papel]


Autora: E.L. James
Editora:  Lua de Papel
Data de edição: Julho de 2011
Nº de paginas: 547
Género: Ficção 


Opinião por Ana Santos, Blog A Dama dos livros


As cinquenta sombras de grey . É um romance obsessivo, viciante e que fica na nossa memoria para sempre.
Anastacia Steele é uma jovem e inexperiente estudante de literatura. Christian Grey é o temido e carismático presidente de uma poderosa corporação internacional. 
 No inicio Anastacia vai entrevista-lo para um jornal universitário. Perante um ambiente luxuoso e sofisticado de um aranha-céus, ela sente-se estranhamente atraída por aquele homem enigmático, sombrio, cuja beleza é de cortar a respiração!
No entanto Christian é incapaz de resistir ao encanto discreto de Anastacia. Ele quer rapidamente possui-la. Mas só o faz, se ela aceitar os seus bizarros termos propostos.
Ao principio Anastacia hesita e teme ainda mais as peculiares inclinações de Grey.
Desde das suas exigências a obsessão pelo contrato. E ainda por cima, ele não tem conhecimento sobre o limite da sua voracidade sexual.
Todo o enredo construído pela autora E.L. James, está bem concebido em todo o romance, desde de as personagens até a descrição dos lugares.
Um bom livro, para quem gosta do erotismo maroto.

As cinquenta Sombras de Grey é o primeiro Volume da trilogia de E.L. James, que é já o maior fenómeno literário de 2012 em todos os países onde foi publicada- só nos Estados unidos vendeu 15 milhões de exemplares em três meses.

domingo, 7 de maio de 2017

[Literatura Juvenil] "Amor de Perdição" de Camilo Castelo Branco [Porto Editora]




Autor: Camilo Castelo Branco

Editora: Porto Editora

Data de edição: Janeiro de 2016

Nº de paginas: 204

Colecção: Educação Literária


Opinião Por Ana Santos, Blog A Dama dos Livros



Amor proibido entre Simão e Teresa (é uma copia igual de um amor retratado de Romeu e Julieta, de William Shakespeare).
  Do inicio da obra de Camilo Castelo Branco. Simão Botelho que das primeiras das vezes que aparece, dá a impressão de ser um jovem problemático da época. Por outro lado uma jovem e inocente de apenas 15 anos Teresa Albuquerque é vista pela primeira vez na casa ao lado, na cena em que Simão Botelho foi castigado pelo o Senhor seu pai Domingos Botelho por ter entrado num briga. Nessa noite olhando na sua janela os dois perdidos de olhares um pelo outro apaixonaram-se. Um amor que se perdeu por tragédia, a jovem Teresa adoeceu e acabou por morre no convento de Monchique, no Porto. E algum tempo depois morre Simão e o seu corpo foi lançado ao mar.

"Amou,perdeu-se, e morreu amando."
 Simão Botelho


Compreendi, enquanto leitora que o livro Amor de perdição constitui um marco no romantismo Português tornando-se uma das suas expressões mais perfeitas, principalmente ligadas a segunda fase romântica. O Autor abusa de todos os recursos do período envolvendo-nos em uma trama onde os personagens vivem em eterno conflito com a sociedade, numa saga de encontros e desencontros, alimentados por cartas carregadas de tristezas e angustias numa apoteose de sentimentos de um amor impossível e no seu destino trágico onde a morte sublima o amor no seu ideal romântico.
 Permitiu-me também observar através do seu encanto pela obra do próprio romantismo marcado pela definitiva liberdade de expressão e do pensamento repudiando as regras que até então eram impostas e já antecipando um novo período que logo iria se afirmar como o Modernismo.

domingo, 30 de abril de 2017

[Literatura erótica] "Luana A Ninfomaníaca", de Armando Ribeiro Teixeira [Chiado Editora]







Autor: Armando Ribeiro Teixeira

Colecção: Vénus

Editora: Chiado Editora

Género: Literatura erótica

Nº de Páginas:320

Data de edição: Junho de 2016




 Opinião por Ana Santos, Blog A Dama dos Livros


Luana é uma jovem de 19 anos, estudante de direito e é uma doente Sexual "uma Ninfomaníaca". E apesar de ter esta doença quase incorrigível, Luana aceita-se como é. Quando tem uma discussão com Luís o seu ex-namorado ela decide partir e deixando -o em Braga. 
Ao partir para casa da sua tia no Porto e deixando preocupados com a sua partida os pais. Uns minutos antes de chegar a a casa da tia Inês, Luana passa pela a loja do sr. José e decide levar um presente para a sua querida tia em que confia alguns dos seus segredos como se fosse a sua segunda mãe. Já na loja, Luana leva um encontrão do jovem Júlio também estudante de psicologia e que naquela hora ele fica enfeitiçado por ela. Mas sabia ele que ela é uma Ninfomaníaca.

Esta literatura erótica, do Autor Armando Ribeiro Teixeira está bem concebida para o género que é. E quando a lemos, somos convidados a espreitar a intimidade de uma mulher que vive uma sexualidade excessiva e menos ortodoxa. Apesar de ter alguns erros na escrita, mas o enquadramento está lá. Adorei este livro!

sexta-feira, 14 de abril de 2017

[Romance] "O Crime do Padre Amaro", de Eça de Queirós [Circulo de Leitores]






Titulo: O Crime do Padre Amaro

Autor: Eça de Queirós

Editor: Circulo de Leitores

Data de edição: Abril de 1993

Género: Romance

Nº de paginas: 487




Opinião por Ana Santos , Blog A Dama dos Livros

Amaro é um jovem padre que, com auxílio dos seus protectores, é designado para a paróquia de Leiria. Ao chegar à cidade, torna-se  hóspede de S. Joaneira, e conhece a filha da senhoria, Amélia. Quando a paixão entre eles começa a aumentar, nem mesmo o voto de celibato é um obstáculo ao seu relacionamento. 

Descritiva em excesso. Estas são as melhores palavras para descrever a narrativa de Queirós. Para se ter uma ideia, nenhum detalhe, por mais insignificante que fosse, passou despercebido. Assim, o uso exagerado de adjectivos logo me incomodou, deixando-me com a sensação de que o autor estava andando em círculos, sem saber que caminho seguir. 

Além disso, a obra apresenta um ritmo lento e a história parece não evoluir. A título exemplificativo, cito que foram necessárias mais de duzentas páginas para Amaro e Amélia finalmente se envolverem, sendo que esta é a premissa do livro, que consta inclusive da sinopse. Até faria sentido este envolvimento ser mais lento, considerando que Amaro é padre e, para ser sincera, a minha expectativa era vê-lo atravessar uma crise existencial, questionando os seus valores e sem saber o que fazer. Todavia, fiquei com a ideia de que Amaro era sacerdote por profissão, e não por vocação. É claro que o romance deles não deveria ter ocorrido rapidamente, como num romance sensual e inverossímil, mas a forma como autor conduziu o relacionamento afectou directamente o meu envolvimento com a leitura.

Os diálogos igualmente deixaram um pouco a desejar, tendo em vista que soaram superficiais e vazios. Creio que não se pode atribuir tal defeito a época em que a obra foi escrita, visto que nunca tive problemas com diálogos de outros livros clássicos.

Os protagonistas não conquistaram a minha empatia, pois além de serem insonssos, o romance deles não me convenceu, nem me cativou. A linguagem, apesar de rebuscada em certos momentos, é compreensível. Uma peça bastante interessante.

Um pouco sobre o período da historia:

Na segunda metade do século XIX, Portugal passava por grandes transformações; não apenas sociais, mas também filosóficas. 
Grande marco do Realismo em Portugal, publicado originalmente em 1875, O crime do padre Amaro é a obra mais polémica de Eça de Queirós que levou a que houvesse grandes protestos por parte da Igreja Católica, não só dentro de Portugal, mas também do próprio Vaticano.É a obra de Eça que denuncia a corrupção dos padres, que manipulam a população a favor da elite, e a questão do celibato clerical. A obra caracteriza-se pelo combate ao idealismo romântico que se estabelecia até então, em prol de uma visão mais crítica da sociedade e Eça de Queirós terá aproveitado o facto de ser nomeado administrador do concelho de Leiria para aí durante seis meses, conhecer e estudar aquele que seria o cenário de O Crime do Padre Amaro.


O Crime do Padre Amaro é a maior obra do escritor Eça de Queirós. A publicação deste romance marca o início do Realismo português e é considerada por muitos a melhor obra do movimento.  Devido a denúncia de corrupção dos membros da igreja e à discussão sobre a quebra do celibato, sofreu perseguições da Igreja Católica. 


segunda-feira, 3 de abril de 2017

[Thriller] "O Amor é Vermelho" , de Sophie Jaff [Marcador]





Autora: Sophie Jaff

Editor: Marcador

Data de edição: Fevereiro de 2016

Género: Thriller

Nº de Paginas: 360







Opinião por Ana Santos | Blog A Dama dos Livros


Esta narrativa alterna entre o ponto de vista de Katherine e o do assassino, o que ao início talvez seja um pouco confuso. Porém, a pouco e pouco, o leitor vai conseguindo entrar na lógica narrativa do livro. O tom da narrativa é muito diferente do usual e mostra-nos a peculiar personalidade desequilibrada, maníaca e compulsiva do Serial Killer  que está bem impressa nas palavras que ele usa para descrever o que o rodeia e a forma como actua no ambiente que o rodeia.

O livro começa com o relato de uma violação seguido do assassinato de uma das vítimas. Crueldade ao mais alto nível. Infelizmente, o livro não dá seguimento à morbidez que se espera neste género de tramas, optando a autora por dar primazia ao romance e às visões que Katherine vai tendo ao longo da história ao invés de se focar nas circunstâncias que rodearam as mortes e na investigação policial (cuja referência não existe) do  caso do Homem da Foice, o que poderia ter trazido um colorido adicional à história.

O foco da narrativa centra-se principalmente em Katherine Emerson em concreto, no triângulo amoroso em que se vê envolvida a protagonista (e musa do assassino em série), e nos dois amigos David e Sael  deixando em aberto o desenvolvimento as circunstâncias em que foram cometidos os crimes.

 No entanto, é um thriller diferente dos que tenho lido ultimamente. “A ligação a uma história muito antiga, da Donzela do Castelo de Morwin”, pareceu-me um pormenor muito interessante. Inicialmente não entendemos muito bem o que tem a ver com a história de Katherine, mas depois faz-se luz. E digamos que a história da Donzela até parece aquelas histórias que as mães contavam às filhas antigamente.

Este livro revelou-se uma forma interessante de abordar o género thriller, e é bastante curioso e original ver de que forma a autora Sophie Jaff misturou acontecimentos bíblicos com passagens eróticas, terror, romance, suspense, paranormal. 

Simplesmente fascinante.



terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

[Romance erótico] "Um Cretino Irresistível", de Christina Lauren [Marcador]







Autora: Christina Lauren


Editora: Marcador


Edição: Janeiro de 2014



256 páginas 








Opinião por Ana Santos | Blog A Dama dos Livros

Já no fim do seu mestrado, Chloe é uma jovem mulher inteligente. Está a estagiar numa prestigiada empresa. Mas o seu único problema  que atravessa de momento é a tensa relação de ódio que tem com o seu orientar e chefe. Bennett, o superior hierárquico de Chloe, sente-se atraído pela sua estagiária desde o primeiro dia em  que a conheceu e tenta resistir-lhe com todas as forças, principalmente porque ela é muito amiga dos seus pais.

Sem querer estagiária e chefe começam numa relação bastante tumultuosa, de sexo e poder, de amor e ódio que os levará a  ter de tomar decisões arriscadas.

Acho que nunca li um erótico que me cativasse tanto. Aquela relação tumultuosa de ambos foi espectacular! As autoras, a meu ver, souberem criar uma química brutal entre eles os dois.

Trata-se de um livro que não me trouxe apenas imagens de sexo e uma forte componente de erotismo mas também contém diversos momentos de comédia e romance. As autoras conseguiram passar para o leitor, de forma muito espontânea e simples, uma intensa emotividade que transparece na sua escrita e que nos envolve na história, agarrando-nos desde o primeiro momento da narrativa. Um romance erótico de facto irresistível!